Star Wars e o fenômeno de arrastar gerações

A franquia, que está entre as mais lucrativas do cinema, ainda consegue cativar crianças e adultos

Rey e Finn em Star Wars

Em meados de 1970, o cineasta George Lucas teve a melhor das inspirações quando criou todo o universo de uma das maiores ficções científicas do cinema. A franquia de Star Wars, sem sobra de dúvida, é o maior sucesso da cultura pop, e apesar de ter sido lançada ao mundo há quase 40 anos, ainda atinge várias gerações com o passar do tempo – ainda hoje, se você comprar um sabre de luz para uma criança, ela o reconhecerá imediatamente e se encantará com seu novo brinquedo.

Mas por maiores que sejam o sucesso e o alvoroço que o filme causa a cada novidade lançada, seja no cinema ou em algum material licenciado, toda essa paixão não foi conquistada por sorte ou imposição cultural. Star Wars conseguiu, hoje, o que vários títulos sonham conseguir: “fidelizar” o público.

Set de filmagens de “Uma Nova Esperança”. Na foto, da esquerda para a direita: Peter Mayhew (em fantasia de Chewbacca), George Lucas, Mark Hamill e Harrison Ford. Fonte: Time. 

A franquia possui uma relação muito próxima com valores e temas sempre vigentes na história do homem. Na época em que Lucas criou a mitologia, por exemplo, os EUA passavam por um cenário catastrófico. A falta de esperança da população norte-americana em relação à política e economia funcionou como álcool e fogo para que Star Wars pudesse capturar a identificação com o público. Não por acaso, o título “Uma Nova Esperança” do primeiro filme chamou a atenção de críticos e jornais da época.

A cada longa lançado sobre a saga de Luke Skywalker e companhia, era possível ver o aprofundamento de temas como política, filosofia, religião e mitologia em sua história central. É possível associar, por exemplo, a história em torno do sabre de luz à lendária Excalibur. Luke, como o rei Arthur, também foi o escolhido para usar a espada e trazer paz ao povo. Obi-Wan Kenobi, assim como Merlim, foi seu mentor durante o processo, tornando-o confiante e capaz.

Outro fator importante para a identificação de Star Wars com o público foi de sempre exemplificar como uma pessoa deve tratar o mundo e a si mesmo. Alguns ensinamentos de Mestre Yoda, por exemplo, podem ser levados facilmente como um princípio para a vida. São lições para lidar com o medo, a guerra, a raiva. A importância da paciência e até mesmo a temática da morte são tratadas com uma pitada de filosofia, mas sem soar panfletário.

Luke e Yoda, em cena do treinamento em Dagoba, de “Star Wars: O Império Contra-Ataca”. Dinâmica entre os personagens é recheada com noções de filosofia e moralismo.

Grande parte destas inspirações vieram da amizade que George Lucas possuía com o filósofo e escritor Joseph Campbell, responsável por obras como “O Poder do Mito” (1988), “Mitologia Criativa” (1968) e “O Herói de Mil Faces” (1949). Estes livros serviram de inspiração para que o diretor abordasse a chamada “jornada do herói” como foco principal dos filmes, sendo Luke a peça central deste tabuleiro.

A tal jornada, aliás, se popularizou nos cinemas desde então. Pense em quantos filmes você já viu que começa com um herói “esquecido” e sem autoconfiança, renegado por sua sociedade, que, após ser chamado para uma aventura, encontra um grupo de amigos e decide enfrentar as forças do mal. “Harry Potter”, por exemplo, salta à memória, não é?

O que é fato é que todos esses aspectos e assuntos que formaram Star Wars em 1970 estão em vigor até hoje. Por mais evoluída que a sociedade possa ter se tornado, certos comportamentos ainda existem entre nós. A criança que se tornou fã há 40 anos pode não ser muito diferente da criança de 2017 que estava na fila para ver “Star Wars: Os Últimos Jedi”. Assim como no mundo do passado, a necessidade de se discutir o heroísmo, a amizade e a morte permanece atual. Afinal, mesmo tecnologicamente mais avançados, ainda somos seres humanos, e medo, força de vontade e guerra ainda são assuntos recentes para nós.

Com esse entendimento, manifesto por Lucas, é que Star Wars e suas temáticas se perpetuaram no tempo. Resta agora permanecermos com a força, e que venham outros ensinamentos – ou melhor, outros filmes – daqui para frente.

Confira a crítica de “Star Wars – Os últimos Jedi” aqui!

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