Star Trek | Como Tarantino poderá salvar a franquia nos cinemas

Ícone do cinema estaria em conversações para dirigir o próximo longa

Quando anunciaram que Quentin Tarantino estaria envolvido no próximo filme de Star Trek, muita gente ficou com um pé atrás. O motivo? O diretor construiu sua carreira sobre temas polêmicos, diálogos “profanos” e usos de violência descarada, em filmes como Kill Bill e Bastardos Inglórios. Entregá-lo algo leve como Star Trek seria, exageros à parte, levar a Turma da Mônica para ter umas aulas com o Capitão Nascimento.

Porém, por mais estranho que possa parecer, as negociações avançaram, e hoje estamos perto de um Star Trek violento e bem sujo de sangue. Uma sala de roteiristas já se reuniu para discutir as ideias de Tarantino – que, a propósito, exigiu um filme para maiores. Se tudo se concretizar, o diretor assumirá o novo longa, e assim teremos o filme mais estranho das últimas décadas.

MAS POR QUE OS PRODUTORES IRIAM QUERER ISSO?

Francamente? Porque Star Trek precisa de novos ares. A franquia, criada em 1966, rapidamente se tornou um dos maiores fenômenos pop do último século. Porém, nos últimos anos, já vem dando sinais de velhice. Há muito potencial (o público, em geral, gosta de épicos espaciais), mas as últimas tentativas falharam em cativar as pessoas. A nova trilogia nos cinemas tinha tudo – bom roteiro, comédia e até Chris Pine –, mas foi completamente esquecível. E esta é uma falha irrecuperável.

O ator Chris Pine, no papel do comandante James T. Kirk.

Nesse sentido, Quentin Tarantino pode dar à Star Trek o que a franquia precisa: originalidade. No competitivo mercado de hoje, quem quiser ganhar o público precisa sair da média. Foi o que “Logan” fez, por exemplo, ao colocar Wolverine num faroeste; e é o que Tarantino pode fazer, ao dar seu toque de selvageria à história do capitão Kirk e sua tripulação.

E se você é um fã de Star Trek – um “trekkie”, é o que dizem –, não precisa torcer o nariz. O diretor é, antes de tudo, um cinéfilo e fã da franquia original; ele certamente trará de volta o glamour e a nostalgia dos episódios clássicos.

POR QUE OS PRODUTORES IRIAM QUERER ISSO, VOLUME 2: O VILÃO

Se tem algo que Quentin Tarantino sabe fazer como ninguém é criar ótimos vilões. Foi dele a inspiração para o icônico coronel Hans Landa (papel que rendeu a Christoph Waltz o Oscar de melhor ator coadjuvante). Também foi ele quem transformou o mocinho Leonardo DiCaprio no diabo na terra em Django Livre. Como os produtores de Star Trek conseguiram desperdiçar até mesmo o talento de Benedict Cumberbatch (“Doutor Estranho”, “Sherlock”), ter na franquia alguém que soubesse criar vilões cairia muito bem.

O austríaco Christoph Waltz como o coronel Hans Landa, em “Bastardos Inglórios” (2009)

JÁ SABEMOS QUAL SERÁ A HISTÓRIA?

É difícil ter certezas, mas o próprio Tarantino pode ter dado uma dica numa entrevista em 2015. Em um podcast para o Nerdist, após ter se declarado fã da série original, o diretor comentou que alguns episódios clássicos poderiam gerar ótimos filmes. E declarou sua preferência: “Yesterday’s Enterprise”, da série oitentista Star Trek: Nova Geração.

“Eu realmente acho que esse (o episódio) é um dos grandes, pela forma com que ele lida com a mitologia.”, disse Tarantino. “O episódio poderia ter um tratamento duas horas (…).

Em “Yesterday’s Enterprise”, a equipe do capitão Jean-Luc Picard (interpretado por Sir. Patrick Stewart) acaba se envolvendo num acidente temporal, lançando-os numa realidade na qual a Federação está em guerra com os Klingons – uma perigosa raça alienígena. “É a guerra mais sangrenta da história de qualquer universo”, comentou Tarantino.

A atriz Denise Crosby e Sir Patrick Stewart, em Star Trek: Nova Geração.

Se o novo filme de Star Trek seguir nesta linha, fica fácil imaginar uma produção para maiores. “Guerra” e “sangrenta” são termos que caem como uma luva na carreira do diretor. Um filme baseado em “Yesterday’s Enterprise” seria temperado com conflitos violentos e inspirações fascistas, um prato cheio para Tarantino fazer sua mágica. Além disso, uma guerra também envolve temas como amizade e companheirismo – e isso o cineasta, com seus diálogos memoráveis, sabe entregar como ninguém.

QUANDO PODEMOS ESPERAR O FILME?

Não tão cedo, infelizmente. O novo Star Trek ainda precisa de um roteiro, um elenco, uma equipe técnica e o sinal verde dos estúdios da Paramount – para só então começar suas filmagens. Além disso, Quentin Tarantino está envolvido com seu nono filme, ainda sem nome, que terá como pano de fundo o assassinato da atriz Sharon Tate pelos discípulos de Charles Manson. Este longa tem previsão de estreia para agosto de 2019 – o que jogaria um eventual novo Star Trek para 2020, pelo menos.

Até lá, ficamos na torcida para que a parceria se concretize. Afinal de contas, para o bem ou para o mal, um Star Trek de Tarantino garantiria ao menos a curiosidade do público. Seria, como no exemplo da Turma da Mônica e Capitão Nascimento, uma aberração da natureza – mas isto talvez seja justamente o que a franquia precisa.

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