O Senhor dos Anéis | Como será a série da Amazon?

Direitos televisivos da série foram comprados recentemente pelo serviço de streaming

Depois de a Amazon Studios anunciar o retorno da franquia de O Senhor dos Anéis para as telinhas, numa superprodução que envolverá pelo menos cinco temporadas e um orçamento de quase 1 bilhão de dólares, a grande dúvida que circula entre os fãs é sobre a história que será contada. Para você que também está curioso, nós condensamos as pistas deixadas pela imprensa e pela própria Amazon até chegarmos à trama mais provável. Confira abaixo!

O QUE SABEMOS?

Oficialmente, não muito. Segundo a Amazon, a história se passará na Terra-Média e será “anterior aos eventos de A Sociedade do Anel”. Na prática: não teremos um reboot da franquia. Mas isso esclarece pouca coisa. Nem todos sabem, mas a mitologia que J. R. R. Tolkien criou vai muito além de O Senhor dos Anéis e O Hobbit. Esse é o homem que chegou a inventar uma língua, com gramática e tudo, apenas para enriquecer seu universo. Suas obras encobrem milhares de anos, descrevem dezenas de povos e remontam basicamente à criação do mundo.

Ora, se é assim, então “antes de A Sociedade do Anel” pode significar qualquer coisa, não é?

Bom, em termos. Sim, o universo de Tolkien é quase ilimitado, mas o gosto do público não é. O mundo do entretenimento tem suas regras, e algumas experiências negativas no Cinema e na TV já provaram que nem tudo é adaptável. Além disso, a recente declaração de Jeff Bezos, o todo-poderoso CEO da Amazon, de que estava atrás do “próximo Game of Thrones”, nos dá uma certeza: a nova série vai seguir certos padrões para alcançar sua popularidade.

Jeff Bezos, CEO da Amazon.

Calma, vamos por partes. A primeira pergunta que precisamos responder é: de onde virá a inspiração para a história?

Há quem defenda que a Amazon não deve adaptar diretamente outra obra de Tolkien, mas apenas se inspirar em seu universo. Com esta ideia, sugerem que a série pode ou abordar a origem de Aragorn; ou ser um prequel direto à trilogia de O Senhor dos Anéis, ambientada no lapso de 65 anos entre O Hobbit e A Sociedade do Anel.

ISSO DARIA CERTO?

Embora seja uma possibilidade, criar algo do zero seria um risco enorme para a Amazon. O investimento de cerca de U$ 200 milhões por temporada (o oitavo ano de Game of Thrones, em comparação, custará menos da metade) é alto demais para bancar uma aventura criativa. Um prequel de A Sociedade do Anel até tem seus atrativos, mas proporciona uma liberdade perigosa, já que não há escritos de Tolkien sobre o período. Seguir com esta ideia daria aos roteiristas a ingrata tarefa de se equipararem ao gênio do autor.

Uma das soluções poderia ser contar a origem de personagens reconstruídos no cinema e bem conhecidos do público, como Legolas ou Aragorn. Porém, pelo menos no caso do humano, o tiro poderia sair pela culatra. Afinal, a trilogia de O Senhor dos Anéis iniciou e concluiu o arco do personagem, deixando pouco espaço para explicações. Além disso, Hollywood já provou o gosto amargo de contar histórias de origem. Exemplo disso é o que George Lucas fez com Darth Vader, o que gerou uma nova trilogia altamente contestável, cheia de clichês e com (muitas) atuações sofríveis. É possível que a Amazon queira seguir por este caminho, mas convenhamos: fazer com Aragorn o que fizeram com Darth Vader seria um sacrilégio.

O ator Viggo Mortensen no papel de Aragorn.

ENTÃO QUAL É A ALTERNATIVA?

O caminho menos arriscado para a Amazon seria se basear em algo que Tolkien já escreveu. Se decidir por isso, então a nova série precisará beber da fonte de O Silmarillion. O livro é a bíblia do universo do autor: por meio de vários contos, ele cobre toda a história da Terra-Média, desde a criação do mundo até a ascensão de Sauron (o conhecido vilão de O Senhor dos Anéis).

Adaptar algo desta magnitude é impossível, mesmo para uma série. A história percorre milhares de anos, o que significaria uma troca constante de elenco – sem falar na falta de um personagem principal, um pré-requisito para histórias de sucesso. Porém, tudo indica que a Amazon se inspirará em pelo menos um dos contos de O Silmarillion.

Mas qual?

A coletânea contém algumas histórias que foram publicadas recentemente em livros próprios. Beren e Lúthien, por exemplo, é uma das apostas. O conto conta a história de um fora-da-lei que se apaixona por uma elfa e que, para provar seu amor, decide roubar uma joia de Morgoth (o primeiro lorde negro). Embora tenha uma carga dramática poderosa e envolva um romance próximo a Romeu e Julieta, é difícil imaginar Beren e Lúthien como uma produção capaz de cativar o mundo inteiro. Além disso, a trama foge tanto de O Senhor dos Anéis que acaba sendo um grande risco para a Amazon.

Recontar os eventos do filme, como a Batalha de Mordor e a Guerra do Anel, também seria algo pouco interessante. O que Peter Jackson estabeleceu nos cinemas já ganhou um status popular de “canônico”. Isso significa, na prática, que haveria pouca aceitação por parte dos fãs quanto a eventuais alterações. Além disso, dar novas caras aos mesmos personagens (o retorno de Viggo Mortensen ou Elijah Wood é considerado improvável) poderia causar certa confusão ao público.

A GRANDE APOSTA: A BATALHA DA ÚLTIMA ALIANÇA

Se a Amazon quer contar uma história próxima a Game of Thrones, que conquiste tanto seu público quanto os fãs de O Senhor dos Anéis, então a melhor alternativa seria optar por alguma história que envolvesse a Batalha da Última Aliança. O contexto é interessante e se assemelha às Crônicas de Gelo e Fogo: a trama abordaria os eventos em torno de uma guerra que definiria o futuro do mundo e a sobrevivência das raças. De um lado, mostraria a ascensão de Sauron, sua usurpação do Anel e sua campanha para conquistar a Terra-Média; do outro, estaria Elendil, ancestral de Aragorn, cuja missão seria unir os reinos rivais dos Elfos, Homens e Anões em uma última aliança para salvar o mundo.

O ator Hugo Weaving como Elrond.

A trama envolveria traições, política, alianças familiares e muitas paixões. Além de apresentar a criação do maior vilão do universo de Tolkien, também envolveria alguns personagens conhecidos (mas não esgotados no cinema), como o lorde-elfo Elrond, vivido por Hugo Weaving (à esquerda, na foto). Gandalf também poderia retornar (uma sugestão que ganha força, principalmente depois que Sir. Ian McKellen manifestou o desejo de retornar ao papel – saiba mais aqui).

Além disso, por envolver a linhagem de Aragorn, é possível que veríamos muitas referências ao personagem – ou até mesmo acompanharíamos uma parte de sua história (mas sem a pretensão de recontá-la), caso a trama da Batalha fosse mostrada através de flashbacks ou se servisse como um prelúdio. O crossover poderia agradar os fãs dos filmes.

Por fim, as guerras épicas, com efeitos especiais em peso, justificariam o altíssimo orçamento da série. Seria um passo na direção do sucesso.

CONCLUSÃO?

No final das contas, tudo está nas mãos da Amazon. Seja como for, a responsabilidade é grande: o serviço de streaming tem a chave de um universo riquíssimo, que já rendeu bilhões de dólares em bilheteria e dezenas de Oscars. A empresa tem a chance de criar um verdadeiro épico.

O que a Amazon precisa – e o que os fãs merecem – é uma adaptação à altura da obra. J. R. R. Tolkien sempre prezou mais pelas emoções que pelo espetáculo visual. Se provar que pode pensar além dos cifrões, a empresa pode ter encontrado seu próximo Game of Thrones – ou talvez até mais que isso.

A série baseada no universo de “O Senhor dos Anéis” ainda não tem previsão de estreia. 

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