Literatura | Monteiro Lobato e o Dia Nacional do Livro Infantil

Escritor nasceu há 136 anos

Monteiro Lobato

Hoje, 18 de abril, é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil. Em um Brasil tão sedento por cultura e por uma geração de pessoas capazes de pensar e mudar algo, nós da Casa27 queremos dar um destaque para esse dia que poderia ser bem mais reconhecido pelo brasileiro. E embora o Dia Mundial do Livro Infantil seja comemorado no início deste mês, no Brasil a comemoração voltada para as crianças é realizada no aniversário de um ícone da nossa literatura infantil: Monteiro Lobato.

Nascido em 18 de abril de 1882, o escritor resgatou em suas obras não apenas o homem do campo, mas também alguns personagens do folclore brasileiro, fazendo uma releitura da cultura nacional. Com uma escrita rica e prazerosa, ele criou mais do que livros; criou um mundo onde todas as gerações podem morar e brincar.

“Quem escreve um livro cria um castelo; quem o lê mora nele” – Monteiro lobato

Na foto, um Monteiro Lobato ainda durante sua juventude.

José Bento Renato Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, e foi criado em um sítio interiorano. Forçado pelo avô a fazer o curso de Direito, o escritor logo descobriu que sua verdadeira vocação estava na literatura. Em 1918 publicou seu primeiro livro, “Urupês”, onde apresentava um de seus personagens mais icônicos, o Jeca Tatu – um símbolo do “caipira”, doente e do interior, e que marcou o início das críticas do escritor ao atraso do Brasil frente às outras nações do globo.

Naquele mesmo ano, Lobato se tornou editor da “Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato”, e assim passou a dominar o mercado literário nacional. Porém, devido à crise energética e falta de apoio governamental, sua editora logo foi à falência. Assim, seguiu investindo na literatura e publicou “A Narizinho Arrebitado” (1920), “Reinações de Narizinho” (1931), “Caçadas de Pedrinho” (1933) e o popular “O Pica-Pau Amarelo” (1939). Seus livros ganharam um rápido destaque internacional, e foram traduzidos em diversos idiomas.

Foto do elenco original de “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de 1979. Na imagem, os atores André Valli (Visconde de Sabugosa) e Reny de Oliveira (Emília). Foto: Rede Globo/Divulgação.

Nesse meio tempo, Monteiro Lobato participou de uma missão diplomática nos Estados Unidos de 1927 até 1931, onde ficaria ainda mais pasmo com a diferença de desenvolvimento entre os países. Na sua volta, chegou a fundar empresas para tentar impulsionar o avanço tecnológico brasileiro, e também publicou dois livros marcados por esse tema: “Ferro” (1931) e “O Escândalo do Petróleo” (1936).

De escritor, o paulista acabou também se tornando um crítico e ativista. Suas mensagens de progresso eram espalhadas em cada uma de suas obras, direcionadas à geração do futuro. Porém, como suas críticas ácidas e ideal “rebelde” iam de encontro aos interesses do Governo Vargas, Lobato foi censurado e chegou a ser preso por seis meses em 1941.

Além destes debates políticos, Lobato ainda se aventurou em inserir em seus livros um tom educacional, ensinando através da diversão. Foi com essa intenção que ele publicou “Emília no País da Gramática” (1934) e “Aritmética da Emília” (1935), por exemplo. Afinal, o escritor sabia que, além de incutir nas crianças os ideais de progresso e as noções de política, também era necessário educá-las para um ensino mais técnico.

“Um país se faz com homens e livros” – Monteiro lobato

Mesmo hoje, noventa anos após sua primeira publicação, Monteiro Lobato ainda fala às crianças como poucos outros autores. Sua linguagem didática, seus universos fantásticos e seus temas profundos continuam encantando as novas gerações, provando que uma criança pode, sim, aprender e se divertir ao mesmo tempo. E que época melhor que a nossa para se aprender sobre a necessidade do progresso e de uma política justa?

Afinal, vemos que é mais do que merecido que o Dia Nacional do Livro Infantil seja comemorado nesta data. Deve-se manter viva a memória de um homem que já entendia as crianças como sendo o nosso futuro, e que lutava para que este futuro pudesse ser melhor. Na época das crises de corrupção do terceiro milênio, Monteiro Lobato surge como um nome que pode ensinar (e divertir!) a nova geração brasileira.

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