Crítica | Vingadores: Guerra Infinita

Épico, sombrio e divertido, longa marca o amadurecimento da Marvel e o ápice do gênero de super-heróis

A sensação de quando você se prepara para uma reunião sempre vem recheada de expectativas. Unir conhecidos e desconhecidos na mesma sala é algo de se apreciar, principalmente nas telonas, quando as histórias individuais se conectam em um grande arco narrativo. Após dez anos de filmes com uma narrativa central – as Joias do Infinito -, a Marvel enfim junta todos os seus heróis em uma produção ambiciosa e épica: Vingadores: Guerra Infinita.

Depois de já ter nos apresentado aos Vingadores, aos Guardiões da Galaxia e a outros heróis, a Marvel agora dá mais camadas ao vilão até então responsável pela conexão entre os personagens: o titã genocida, Thanos (Josh Brolin). Agora, após tanto tempo, os heróis da Terra e do Espaço precisam enfrentar o vilão que ameaça dizimar metade do universo em busca de um pretenso “equilíbrio”.

Thanos em Vingadores: Guerra Infinita
Thanos (Josh Brolin), o Titã. Vilão é, de longe, o antagonista mais complexo da Marvel.

O filme tem um início eletrizante e mostra que os diretores Anthony e Joe Russo (Capitão América: Guerra Civil) estão dispostos a arrancar suspiros dos fãs. O apelo emocional em “Guerra Infinita” é algo jamais visto no cinema de heróis até hoje. Embora separados por diferentes núcleos muito bem divididos – a Terra e o Espaço -, há uma sensação de continuidade e de união, que constroem uma tensão interessante capaz de fazer os 160 minutos de filme passarem despercebidos. O dinamismo, aqui, remete um pouco à franquia de Star Wars, em que, embora recheada de personagens, cada um deles tem um tempo de tela suficiente para criar uma história coesa e eficaz.

Outro ponto forte do longa é o desenvolvimento dos personagens, principalmente em cenas de batalha. Mesmo presente em quase todos os filmes da Marvel, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) ainda consegue se superar, em takes de tirar o fôlego; sua armadura parece não ter limites para se aperfeiçoar. Além dele, Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) são os destaques, enchendo a tela de efeitos provindos dos seus poderes. As habilidades do Mago Supremo  são muito mais desenvolvidas, o que significa que você pode esperar muitas lutas, e das boas, no filme.

Cena de batalha em Wakanda. A ação em “Guerra Infinita” é irretocável e constrói uma tensão que serve ao filme.

Thanos, por sua vez, é o antagonista mais interessante que a Marvel já criou: poderoso e implacável, é também “humano” e sentimental, o que rompe com o clichê do “mal por mal” e lhe dá camadas e uma complexidade que tornam suas motivações compreendidas pelo público.

Mas se todas essas questões tornam o filme mais interessante, o fator definitivo para o sucesso de “Guerra Infinita” é a sua quebra de paradigmas. A “Fórmula Marvel”, aqui, é reciclada e aperfeiçoada, resultando em um filme sombrio e tenso, mas que jamais deixa de entreter. As piadas estão ali, mas não parecem deslocadas e nem quebram a narrativa. Ao subir dos créditos, fica a sensação de que acabamos de presenciar o amadurecimento da Marvel e o ápice do gênero de super-heróis.

Por fim, o mais novo encontro dos “Vingadores” tem uma palavra que define toda sua história: surpresa. O filme é emocionante, eletrizante e divertido, mas também coeso, bem contado e recheado de efeitos visuais deslumbrantes e impecáveis. De alguma forma, “Guerra Infinita” permeia por uma região que nenhuma das outras três grandes reuniões (contando com “Guerra Civil”) se arriscou. O resultado é um filme ousado e surpreendente, que ainda consegue prometer mais história para o desfecho final em “Vingadores 4”. A Marvel, ao que parece, encontrou seu ápice.

Nota de utilidade pública: “Vingadores: Guerra Infinita” contém apenas uma cena pós-créditos, então se prepare para esperar!

Veja também:

 

Comente Aqui!