Crítica | Rampage: Destruição Total

Filme com Dwayne Johnson reutiliza a fórmula da ação sem cérebro, e o resultado é um verdadeiro desperdício

Dwayne Johnson Rampage

Ver Dwayne Johnson no cartaz de algum filme (principalmente, como é o caso, se estiver acompanhado de um gorila gigante) já nos diz muito do que esperar a seguir: uma trama simples, muita ação sem cérebro e um tom de comédia genuína. Porém, a fórmula que funcionou em “Jumanji: Bem-Vindo à Selva” recebeu outros contornos em Rampage para tornar o filme um verdadeiro desperdício.

Na adaptação do popular game, após um acidente envolvendo um composto mutagênico, três animais são infectados e acabam se tornando monstros gigantes e agressivos. Quando eles são atraídos até Chicago pela empresa que os criou, caberá ao primatologista Davis Okoye (Johnson) impedir a destruição da cidade.

Cena de “Rampage”. O filme fez um bom trabalho com os efeitos visuais.

Sem medo de se incluir no subgênero do “cinema-atração”, que conduz o espectador a uma aventura meramente sensorial, “Rampage” abusa das explosões e das piadas de The Rock para justificar sua existência. Atento à essa necessidade, o diretor Brad Peyton investe pesado nos efeitos especiais e no ritmo alucinante da ação, e até consegue gerar alguns momentos de diversão, sobretudo quando a aventura chega até Chicago.

Porém, é difícil para qualquer filme se ancorar unicamente em sua ação. Tire as explosões e os animais gigantes, e “Rampage” se transforma em uma história rasa e desinteressante. Ainda que dramatizar não seja sua intenção, o longa tem uma decepcionante falta de tato com seu elenco: toda vez que tenta dar profundidade a algum personagem, o roteiro acaba caindo no ridículo. Com Dwayne Johnson e Naomie Harris, somos envolvidos por uma chuva de diálogos sem sentido, que tenta uni-los em um casal improvável (a epifania de Harris após uma queda de avião é um bom exemplo do absurdo). Já Jeffrey Dean Morgan parece ter roubado algum script de “The Walking Dead” para interpretar uma versão engravatada e politizada de Negan.

Johnson e Dean Morgan.

No entanto, o grande ponto negativo do filme ainda é a construção de seus dois vilões. Os irmãos interpretados por Jack Lacy e Mali Akerman estão ali apenas para nos explicar cada cena, e também os detalhes de seu mirabolante plano que, no fim das contas, ninguém entende qual é. Com diálogos pobres e caricatos, o roteiro mirou em uma relação cômica, acabaram transformando os personagens em uma breguíssima versão live-action de “O Pinky e o Cérebro”.

No fim, “Rampage” depende da boa vontade do público para ser divertido. Seu objetivo é entreter através do espetáculo visual de prédios caindo e monstros voando, nada mais. Qualquer outro atrativo – inteligência, bons personagens ou um roteiro imprevisível –, está fora de questão. Esta saber se a “destruição total” por si só pagará o ingresso.

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