Crítica | A Noite do Jogo

Longa de John Francis Daley e Jonathan Goldstein explora a comédia de uma forma interessante e original

Cena do Filme

Em um mercado de comédias em massa, com pouca atenção à qualidade narrativa, A Noite do Jogo se destaca sem dificuldades. Dirigido por John Francis DaleyJonathan Goldstein, o filme transita suavemente entre gêneros fílmicos como aventura, ação e suspense, mas sem perder seu humor leve. Também consegue brincar com vários elementos comuns ao seu gênero, mas sem perder o ritmo e a essência da história – fato cada vez mais raro na Hollywood de hoje.

O filme conta a história do casal Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams), que se conhecem enquanto jogam e se apaixonam. Da afinidade competitiva resulta um casamento, que perdura por conta de jogos semanais com os amigos. Porém, para evoluírem como um casal, eles precisam vencer os traumas familiares de Max – gerados em grande parte por seu irmão, Brooks (Kyle Chandler), que é bem-sucedido e nunca perdeu uma partida em sua vida. Dispostos a crescer, os protagonistas precisam derrotá-lo.

A partir daí, “A Noite do Jogo” brinca com as questões familiares e o clichê do “irmão perfeito vs patinho feio”, mas sem perder a originalidade. Após ingressar no grupo de seu irmão, Brooks chama Max e todos os seus amigos para jogarem uma partida alucinante em sua mansão, que envolve ações hiper realistas. Todo o clímax é construído ao redor desta revanche, e a originalidade do filme fica por conta do roteiro sagaz, que sabe aproveitar as qualidades de seus bons atores.

Bateman e McAdams (à direita na foto), acompanhados do excelente elenco coadjuvante de "A Noite do Jogo".
Bateman e McAdams (à direita na foto), acompanhados do excelente elenco coadjuvante de “A Noite do Jogo”.

Em meio à trama, os amigos, o casal, o vizinho estranho (aliás, uma ótima atuação de Jesse Plemons) e até Brooks são peças importantes nesse tabuleiro. Os protagonistas Jason Bateman Rachel McAdams dão consistência à história, e são muito bem complementados pelo elenco coadjuvante, que cria núcleos interessantes no jogo dentro do filme. No fundo, a trama acaba sendo uma grande sátira a personalidades e acontecimentos clichês nos gêneros da comédia, ação, aventura e suspense.

Em muitos momentos, os diretores Daley e Goldstein brincam com o jogo de câmeras, apelando para os plongées, colocando os panoramas aéreos do filme em plano reduzido, como se quisessem mostrar ao espectador que o filme se passa dentro de um jogo de tabuleiro. O propósito parece ser transmitir o sentimento dos personagens, bem pequenos em relação a todo o jogo – não um jogo de tabuleiro, mas o jogo da vida, dos traumas, da família, do sucesso, que são, no fundo, o assunto principal do longa.

Outro grande destaque do filme é a sua trilha sonora. A obra de Cliff Martinez consegue passar a ideia lúdica de um jogo de uma forma peculiar e enérgica. Embalada por sons como os clássicos do Queen, a composição pincela cada sentimento imerso nesta grande partida.

Assim, “A Noite do Jogo” consegue ser uma comédia engraçada (não é uma redundância) e satírica que nunca perde seu próprio sentido. Toda a composição fílmica lembra um bom entretenimento de “Sessão da Tarde”, que te faz sentir simplesmente confortável, uma vez que a história é bem divertida e vibrante. No final das contas, o resultado é um filme que entrega o melhor entretenimento: o simples e despretensioso.

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