Crítica – La Casa de Papel (2ª Parte)

Produção encontra seu tom e se define como uma das melhores séries de seu gênero na atualidade

La Casa de Papel

Se você gostou da primeira parte da primeira temporada de La Casa de Papel, também irá se encantar com a segunda. Enquanto mantém a essência da série com o foco no assalto à Casa da Moeda espanhola, intercalando o plano e a execução, os novos episódios utilizam esse pano de fundo para dar mais profundidade aos personagens – elemento imprescindível para qualquer série de sucesso. Assim, ao se aprofundar no caso entre a inspetora Raquel Murillo (Itziar Ituño) e o Professor (Álvaro Morte), entre assaltantes e reféns, a produção encontra seu tom para se tornar uma das melhores séries de seu gênero atualmente.

Porém, não é só na construção de camadas que a segunda parte se firma. Os novos episódios abusam do romance, do apelo emocional e das discussões idealistas, que não se tornam cansativas justamente porque estão inseridas no contexto de uma trama de assalto. A série nos leva da situação problemática do fim da primeira parte em direção à tão desejada liberdade, mas não sem fazer com que os assaltantes passem por um caminho tortuoso para consertar todos os seus erros. De forma impressionante, o único erro que realmente se torna um problema relevante é a paixão entre Raquel e Salva; no mais, o Professor permanece se mostrando um homem inteligente, preparado e também bastante sortudo!

Álvaro Morte, no papel do icônico “Professor”. Aprofundar-se no personagem foi um dos grandes acertos de “La Casa de Papel”.

No entanto, há ainda algumas surpresas negativas nesse sentido. O sexo visceral, que acabava dizendo muito sobre os personagens, é reduzido drasticamente. Além disso, o roteiro ainda deixa algumas pontas soltas entre a inspetora e Ángel (Fernando Soto) no posicionamento quanto ao certo e errado nesse grande jogo de polícia e ladrão.

Ainda assim, estes nove novos episódios trazem lados totalmente novos de alguns personagens (possivelmente você se apaixonará por pelo menos um dos assaltantes). O Professor mantém suas características principais – a inteligência e o idealismo –, mas mostra uma faceta verdadeiramente romântica, capaz de deixar o espectador atônito nos episódios finais. E para quem achou que Nairóbi (Alba Flores) estava ali só para fazer dinheiro, saiba que ela se desenvolve a ponto de colocar o assalto nos trilhos. Mais do que isso, ela mostra sua força no momento de necessidade e reconhece suas fraquezas quando preciso – uma verdadeira evolução.

O resto do grupo também evolui. Tokyo (Úrsula Corberó) não traz muito de novo, mas potencializa tanto suas características que acaba desestabilizando seu grupo. Moscou (Pacto Tous) se revela um pai amoroso, em um relacionamento que é muito bem explorado através de algumas revelações e conselhos. Oslo (Roberto García) e Helsinque (Darko Peric) também se destacaram, sobretudo em um clímax que poderia ter recebido mais atenção na série.

Pedro Alonso, como o assaltante “Berlim”. Ator é um dos grandes destaques da série.

No entanto, o grande destaque fica por conta de Berlim (Pedro Alonso): é ele o verdadeiro assaltante, sem medo, um ator dentro de um personagem. Ao construir um personagem que leva o espectador do ódio ao amor, o ator se encontra e realiza um trabalho que pode lhe render uma lembrança no próximo Emmy.

O interessante da 2ª parte de “La Casa de Papel” – e da série como um todo – é perceber que nenhum personagem é de todo mal ou de todo bom. A complexidade do ser humano é explorada como em poucas outras produções. As pessoas mudam, seus ideais também. Os peões se transformam em reis e rainhas nesse jogo de ladrões, que não poupa ninguém, mocinhos ou vilões, pelo bem da história. Ágil e interessante, a série prova seu lugar de excelência no gênero das tramas de assalto.

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