Crítica | Jurassic World: Reino Ameaçado

Filme deixa para trás o tom aventuresco de "Jurassic Park" para criar um suspense deslocado e confuso

Jurassic World: Reino Ameaçado

Quando “Jurassic World” quis retornar à icônica franquia de “Jurassic Park”, o sentimento quase unânime era que o mundo dos dinossauros “já deu o que tinha que dar” e que derivação da franquia visaria apenas o lucro. Porém, o oposto se sucedeu após o primeiro filme da nova trilogia, que deu sangue novo à franquia, teve uma boa aceitação do público e alcançou um ótimo aproveitamento da história. Agora, porém, com “Jurassic World: Reino Ameaçado”, aquele sentimento de antes voltou.

O enredo é batido e não traz nada novo: a ilha do “novo parque dos dinossauros” está ameaçada por um vulcão prestes a entrar em erupção. Assim, os protagonistas no primeiro filme – Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard) – são convocados para levá-los a uma nova ilha, onde poderão viver em paz. Porém, os dois logo se veem no meio de uma armação muito mais abrangente e sombria.

Com essa premissa, podemos separar o filme em duas partes. A primeira como um belo filme de ação, que tem um ritmo alucinante e que nos faz esperar muito das cenas. A segunda parte se apresenta como um suspense com várias mortes, mas que deixa de lado a ação e empolgação trazidas na primeira metade do filme. O nível de tensão é elevado, mas sua falta de bom gosto acaba soando estranha à franquia. Inseriu-se a tensão de “Anaconda” – uma característica proveniente do diretor J. A. Bayona, que tem histórico em longas do gênero – em um filme de aventura, o que não se apresenta em consonância com o clássico de 1993.

Cena de Jurassic World: Reino Ameaçado. Toque de terror trazido pelo diretor espanhol J. A. Bayona trouxe um tom desajustado para a franquia.

Não que a tensão seja de todo ruim. O problema, na verdade, é a divisão do filme nestas duas partes. A trama de suspense inserida na metade da história não atende à expectativa que é criada no começo sensacional do filme – esse, sim, soando como um legítimo “Jurassic Park”. Talvez esse tenha sido o grande pecado do roteiro de Colin Trevorrow e Derek Connolly: ambos contaram com os bons efeitos práticos e especiais (que superam os dos filmes anteriores) para maquiar uma história confusa e pouco inspirada.

Outra expectativa remanescente do primeiro Jurassic World é o enlace romântico do filme. Chris Pratt e Bryce Dallas Howard não receberam nenhuma oportunidade de aproveitar essa vertente, o que fez falta para um filme já superficial. Além disso, para colaborar com a superficialidade, o roteiro faz questão de lançar entre o casal algumas discussões forçadas sobre proteção animal e o futuro da humanidade em relação às novas tecnologias. São tentativas pertinentes, mas pobremente executadas.

Bryce Dallas Howard, Chris Pratt e Isabella Sermon (de costas). Elenco competente não foi suficiente para criar empatia com o longa.

Entretanto, ao menos uma coisa boa veio dessas tentativas. Mesmo tendo limitado sua boa ação ao início do filme, explorando um suspense apelativo na segunda parte, “Jurassic World: Reino Ameaçado” criou momentos emocionantes – alguns que podem te fazer prender o fôlego, outros que podem lhe arrancar lágrimas. Não que eles sejam suficientes para ofuscar a história previsível e as discussões desinteressantes, mas ao menos entregam alguma emoção no final.

A esperança para os fãs será o terceiro e último filme. A cena pós-créditos do longa passa por um desses momentos bem colocados, e abre uma possibilidade de explorar de uma forma nova o mundo dos dinossauros. Só resta aguardar por uma produção que atinja o nível que nossos amigos jurássicos merecem.

“Jurassic World: Reino Ameaçado” está em cartaz nos cinemas brasileiros. Confira também o primeiro trailer do filme aqui.

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