Crítica | Jogador Número 1

Steven Spielberg volta às origens em filme divertido e envolvente

jogador numero um

Steven Spielberg é um diretor de muitas facetas. A mente por trás de “Jurassic Park”, “Indiana Jones” e “Tubarão” é também a responsável por “The Post” e “Ponte dos Espiões”, que marcaram presença nas edições do Oscar. Mas enquanto seu alter ego “Oscarizado” nos apresenta tramas inteligentes e analíticas, é no cinema “pipoca” que o diretor cativa o mundo. E é esse o grande apelo de “Jogador Número 1”: o filme marca o retorno daquele Spielberg despojado, despreocupado e divertido.

O filme, adaptado do livro de Ernest Cline, se passa no ano de 2045, em uma realidade na qual o mundo está à beira do colapso populacional. Homens e mulheres de todas as idades passam a maior parte de suas vidas no interior do Oasis, um avançado programa de realidade virtual. É nesse contexto que surge Wade Watts (Tye Sheridan), um jovem que decide participar de uma competição mundial em busca do “Easter Egg” deixado pelo criador do programa, e que dará ao vencedor uma imensa fortuna e o domínio sobre o Oasis. Para conquistar o prêmio, ele precisará desbancar Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn), o dono de um poderoso império financeiro.

O mundo virtual do Oasis foi construído à perfeição em “Jogador Número 1”. Na cena, o avatar de Wade Watts (de frente, com a mão levantada). Ao lado, de vermelho, Art3mis (Olivia Cooke), seu interesse amoroso.

Toda a história é emendada na clássica jornada no herói, que torna o destino de Wade (e o filme em si) bastante óbvio. Porém, a preocupação de Spielberg é mais com a jornada que com o desfecho. Assim, “Jogador Número 1” é construído com a dinâmica de um vídeo game, em que o visual fala mais alto que o enredo. Por isso, o mundo real é sujo, lento e sem graça, enquanto no Oasis Spielberg abusa das cores e dos movimentos de câmera, que tentam capturar as milhares de referências pop espalhadas pela tela.

Aliás, a homenagem à cultura pop é a grande marca do filme. Em meio à loucura do mundo digital, construído à perfeição pela equipe de efeitos especiais, as referências dos anos 1980 e 90 – a “era de ouro” do diretor – saltam pela tela. O próprio enredo é saudosista e bem-humorado, apelando para as caricaturas do passado: o vilão corporativista, o herói pobre, o grupo de amigos ao estilo de “Goonies” e “Caça-Fantasmas”. A impressão é que “Jogador Número 1” é um filme do passado, com uma inocência charmosa, mas repaginado para conquistar o público moderno. É o “Jurassic Park” da Geração Z.

Nolan Sorrento, vilão interpretado por Ben Mendelsohn. Nem mesmo o competente ator conseguiu trazer profundidade ao personagem.

É claro que tudo isso vem com um custo. Para ser democrático, o roteiro é simples e despretensioso. Wade Watts é um protagonista unidimensional, com um objetivo claro e nada mais. Sheridan é um bom herói, mas não há qualquer emoção que pareça efetivamente real. Além disso, os diálogos expositivos acabam incomodando, principalmente quando tentam explicar em palavras algum sentimento dos personagens. O maior afetado por isso talvez seja o vilão Nolan, que acaba sendo caricato demais e sem uma motivação clara.

Não que o Spielberg “divertido” se importe com isso. “The Post”, afinal, ficou para trás; o que interessa aqui é o espetáculo visual, é a homenagem a uma década passada, a um entretenimento que marcou uma geração. É o retorno de um mestre, que faz do entretenimento popular o que ele deve ser: simples, marcante e absolutamente divertido.

Assista ao trailer de “Jogador Número 1” aqui!

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