Crítica | Homem-Formiga e a Vespa

Homem-Formiga e a Vespa

Em 2015, o Homem-Formiga era apresentado ao público em seu primeiro longa, dando continuidade a todas as histórias do famigerado universo cinematográfico da Marvel. A tarefa, na época, era introduzir a história do herói em um mundo que já contava com o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), a S.H.I.E.L.D e por aí vai. Após ter ganhado destaque, o personagem vivido pelo ator Paul Rudd acabou aparecendo em outro longa, “Capitão América: Guerra Civil“, no qual – SPOILER – alguns heróis foram presos. E é logo depois destes acontecimentos que “Homem-Formiga e a Vespa” começa.

O filme de mais ou menos duas horas conta as consequências vividas por Scott Lang (Rudd) após sua prisão. Porém, a premissa principal do longa é o resgate da personagem de Michelle Pfeiffer, a “Vespa” original, do chamado Reino Quântico – um enorme espaço subatômico. Neste contexto, a corrida contra o tempo para resgatar a antiga heroína acaba tomando toda a história do filme (em momentos até demais), envolvendo quase todo o elenco, inclusive a vilã, nesta trama.

O protagonismo de Evangeline Lilly foi um dos acertos de “Homem-Formiga e a Vespa”.

Toda essa narrativa “episódica” acabou sendo uma grande (e boa) surpresa. Cercado de uma gigante expectativa, principalmente após os eventos do grandioso “Vingadores: Guerra Infinita”, esperava-se que o filme serviria para explicar alguns fatos: “onde estava tal personagem?” ou “vai haver mesmo uma viagem no tempo?”. Porém, “Homem-Formiga e a Vespa” consegue se manter fiel à fórmula de seu primeiro longa, contando uma história mais fechada em seu próprio universo, sem ter a obrigação de preencher mais uma lacuna do Universo da Marvel. Isso permitiu a concepção de um filme mais “livre” e “autoral”, um bom alívio cômico após a tensão de “Guerra Infinita”. 

Tudo isso ganhou força com a decisão de manter Peyton Reed na direção. Depois de pegar pela metade o primeiro filme, marcado por problemas de produção, agora o diretor conseguiu deixar sua marca, criando um filme que mantém a comédia característica dos filmes da Marvel, mas sem forçar momentos de piada. Aqui não há cortes de cenas mais dramáticas para um comentário humorístico deslocado – vide “Thor: Ragnarok”. 

Lawrence Fishburne, como o Dr. Bill Foster. Marvel tem buscado atores de renome para darem consistência aos seus filmes.

Outro grande ponto positivo do filme foi seu elenco. O grupo de atores que já era ótimo – com Rudd, Evangeline Lilly (Hope), Michael Douglas (Hank Pym) e o genial Michael Peña (Luis) – se tornou excelente com as adições de nomes de peso como Michelle Pfeiffer Laurence Fishburne. Todos eles deixam o filme muito mais agradável de assistir, trazendo bom timing de ação, bons diálogos, comédia e uma pequena pitada de drama. Tudo isso acaba tornando “Homem-Formiga e Vespa” um filme genuinamente para a família, com o selo, orgulhoso até, de um bom filme “Sessão da Tarde”. Nessa mistura, talvez apenas o personagem de Walton Goggins não fizesse falta na trama – um desperdício para um ator desse nível.

No fim das contas, “Homem-Formiga e a Vespa” tem seu próprio estilo, com boas cenas de ação e uma comédia natural. A adição da personagem de Lilly nos combates também foi certeira, e preencheu bem a história fechada e divertida. Os bons acréscimos também ampliaram ainda mais as possibilidades futuras para a franquia – e, de quebra, abrir uma porta de teorias para onde todo esse universo de heróis pode caminhar daqui para a frente. E o melhor: tudo isso de forma natural e honesta, sem estragar o que já foi feito, e nem entregar o que pode acontecer!

“Homem-Formiga e a Vespa” está em cartaz nos cinemas brasileiros. Assista ao último trailer aqui.

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