Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars

Ancorado no "peso" de Star Wars, novo derivado não empolga e falha em justificar sua própria existência

Cena de Han Solo: Uma História Star Wars

A ideia da Disney em contar o passado de Han Solo sempre soou como um risco desnecessário. Afinal, a trilogia inicial de Star Wars – juntamente com “Star Wars – O Despertar da Força – havia iniciado e concluído o arco do contrabandista. Na pele do icônico Harrison Ford, Han ganhou um rosto, uma personalidade e uma história: quem precisava de mais? E foi assombrado por essa pergunta que “Han Solo: Uma História Star Wars” foi concebido: mais do que um filme para entreter, o derivado pareceu ter sido escrito para explicar sua própria existência.

Na história, o jovem contrabandista (vivido por Alden Ehrenreich) é um aspirante a piloto que foge de seu planeta natal em busca de uma vida melhor, mas acaba deixando para trás sua companheira, Qi’ra (Emilia Clarke). Apaixonado e impulsivo, Han se une a um grupo de mercenários para levar recursos, comprar uma nave e resgatar sua amada. Em meio a essa jornada, o diretor Ron Howard apresenta o submundo do Império, cria novas raças alienígenas e enche a tela de referências ao universo de Star Wars – tentativas quase desesperadas de “agarrar” os fãs e cumprir com a necessidade de autoafirmação de “Han Solo”.

Emilia Clarke (à esquerda) e Alden Ehrenreich. Relacionamento de Qu’ira e Han é o ponto chave para tentar justificar o filme.

A ideia de explorar os cantos obscuros do universo é apelativa, mas acabou resultando em um filme escuro e visualmente pobre (uma raridade na franquia), que Howard tenta agitar com explosões e confrontos desmotivados, inseridos aqui e ali como uma injeção de ânimo no espectador. Porém, a carência de um propósito faz falta: nem mesmo as cenas de perseguição ou os tiroteios sobre trens em movimento empolgam como deveriam. A grandiosidade de Star Wars – suas batalhas alucinantes, seu senso épico e seus contornos dramáticos – passam bem longe daqui.

Visual à parte, o roteiro de Lawrence e Jonathan Kasdan também deixa a desejar. A ideia foi criar um jogo de “polícia e ladrão” intergaláctico, mas a equipe do criador de “O Império Contra-Ataca” pecou pelo apego ao fan service e por suas tentativas incessantes de preencher lacunas no passado de Han Solo. Os poucos momentos inspiração aconteceram justamente quando a história se afastava da “marca” Star Wars e buscava sua própria originalidade.

Donald Glover, como o eterno Lando Calrissian. Ator trouxe certa originalidade ao personagem.

O lado interessante do filme, porém, é o esforço do elenco em construir um filme digno. Mesmo com a ingrata tarefa de substituir Harrison Ford, Alden Ehrenreich entrega um Han Solo convincente, ainda que não tenha metade do carisma do original. Já a versão pomposa e sexualmente livre de Lando Calrissian (Donald Glover) serve como um bom alívio cômico. Até o vilão de Paul Bettany cumpre seu papel, mais pela qualidade do autor que pela qualidade do personagem.

Nada disso, no entanto, esconde o fato de que “Han Solo” é um filme que tem pouco a dizer. Esqueça as mensagens interessantes, os personagens complexos e a dinâmica da Luz e Trevas. O objetivo aqui é criar um filme episódico, com uma ação decente e um elenco interessante, ancorado em personagens consagrados no cinema. Se o peso de Star Wars foi suficiente para tornar uma trama desnecessária em um filme empolgante, aí já é outra história.

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