Crítica | Deadpool 2

Ryan Reynolds volta a encarnar o “herói” canastrão nos cinemas

Quando você possui uma receita que dá certo, a tendência é repetí-la para que não haja erros nas demais tentativas. Deadpool 2 segue à risca essa premissa e repete o feito de ser um filme do “gênero super herói” sem ser taxativo – arrancando risadas, satirizando tudo e todos e com muita luta, sangue e piadas para maiores.

A sequência se inicia logo após os eventos do primeiro longa, contextualizando o espectador do que aconteceu depois da luta contra o vilão Ajax (Ed Skrein) e o resgate da amada Vanessa (Morena Baccarin). Na trama, o personagem de Ryan Reynolds ganha fama por ser um mercenário sem “limites”, por assim dizer, e é constantemente contratado para utilizar suas habilidades mundo afora. Porém, por mais realizado que esteja, Wade Wilson precisa completar algumas lacunas de sua personalidade e até mesmo de caráter. Logo, o tema “família” é a constante do longa durante suas quase duas horas de duração.

Deadpool (Ryan Reynolds) terá de aprender a conhecer o conceito de “família” na sequência do longa

A formação de um lar completo se torna desejo do Mercenário canastrão, que fica implícito em sua relação com Vanessa. Após uma tragédia, porém, Wade vê nos seus amigos da mansão Xavier, os X-Men, uma possível redenção. Lá ele precisará aprender a lidar com suas emoções, tentando salvar uma criança de se tornar um terrível vilão no futuro pós apocalíptico, onde se encaixa uma das adições de personagem no filme: o mutante viajante do tempo, Cable (Josh Brolin).

Justamente por causa das adições de personagem, o filme se torna mais completo que o primeiro. Com o sucesso de público e crítica de “Deadpool”, ficou visível o aumento de confiança da 21st Century Fox em adicionar mais personagens do universo mutante, como a Dominó (Zazie Beetz), além do retorno do grandalhão prateado Colossus (Stefan Kapičić) e da Míssil Adolescente Megassônico, interpretada pela atriz Brianna Hildebrand. Há também outras participações especiais no longa e velhos conhecidos que se tornam uma surpresa ao público. Todas essas aparições formam um acréscimo interessante, e finalmente dão a impressão da construção de um universo.

A “X-Force” é introduzida no longa com a presença de alguns personagens inusitados.

Deadpool 2” segue o caminho das pedras criado por seu primeiro longa, acertando nas piadas e nas cenas de ação, aqui muito bem gravadas pelo diretor David Leitch, que tem experiência no gênero e foi responsável por sucessos como John Wick”, “Atômica” e “V de Vingança”. O filme também acerta na despretensão de ser algo grandioso, uma alternativa muito bem-vinda no mercado atual.

O pecado talvez veio na falta de cuidado de alguns efeitos de computação gráfica e na ausência de uma história/roteiro convincente (que, por sinal, também virou motivo de piada). Algumas motivações ou soluções soaram um pouco “preguiçosas”, e, piadas à parte, a trama é bastante rasa e previsível.

Por fim, a impressão que se passa é que a sequência foi feita exclusivamente para o público que ficou sedento de um filme de herói nos moldes do primeiro filme. Resta agora torcer para que uma possível trilogia do longa não caia no erro de repetir o caminho já criado e causar um efeito já instalado nos grandes longas dos poderosos: tornar-se algo repetitivo, previsível e cansativo.

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