Crítica | 13 Reasons Why (2ª Temporada)

Após um primeiro ano polêmico, “13 Reasons Why” retorna trazendo mais discussões pertinentes, atitudes questionáveis e um senso de generalização aterrorizante.

Série 13 Reasons Why, Netflix

13 Reasons Why retorna intrigante, desafiadora e revoltante. Após um primeiro ano polêmico, a série retorna trazendo mais discussões pertinentes, atitudes questionáveis e um senso de generalização aterrorizante: cada espectador pode facilmente se identificar com a luta e o caminho vivido por algum dos personagens.

Vale ressaltar, antes de tudo, que a intenção da crítica não é se aprofundar nas questões morais e éticas apresentadas na produção, mas sim abordar como essas questões poderiam contribuir para a construção de uma boa série, levando em consideração os outros aspectos que ajudam ou atrapalham a série a alcançar esse objetivo.

A segunda temporada reutiliza a fórmula de sucesso da primeira com cada episódio contando histórias que vão se completando, unindo-se pela atuação de um narrador. A diferença agora é que cada episódio tem seu narrador, que nos guia sobre a sua própria versão dos acontecimentos acerca com Hannah Baker (Katharine Langford). Essas versões e revelações vêm à tona porque a continuação de “13 Reasons Why” nos conduz pelo julgamento por negligência da escola para com a menina, o que supostamente seria uma razão para seu suicídio.

Katharine Langford. Sua personagem, Hannah Baker, foi o tema central da primeira temporada, mas permanece como foco das atenções no novo ano.

Esse jogo de verdades e omissões no tribunal – com a produção revezando entre a história contada e encenada, entre presente e passado, formando uma sinergia invejável – leva o espectador à dúvida. Depois de descobrirmos os treze motivos na primeira temporada e criarmos uma possível empatia com alguns personagens, várias lacunas são preenchidas com depoimentos que despertam nojo, entendimento, incredulidade e mais motivações para os eventos que se sucedem na série.

O que pode trazer uma divisão de opiniões sobre a nova temporada, porém, é que as discussões não acontecem de forma tão natural quanto na temporada anterior. Mesmo assim, sempre acontecem em momento propício e destacam o bom trabalho do elenco, principalmente por parte de Devin Druid, Christian Navarro e Michele Selene Ang.

Devin Druid, no papel de Tyler em “13 Reasons”. Personagem é um dos pontos altos da nova temporada.

Além disso, a esperada jornada de superação por parte de Jessica (Alisha Boe), Justin (Brandon Flynn) e Alex (Miles Heizer) é extremamente bem construída. Os eventos em torno da vítima de estupro, dos problemas familiares de Justin e da tentativa de suicídio de Alex  aprofundam os estereótipos e criam uma simpatia com cada uma de suas lutas.

Ainda em estereótipos, o bom trabalho (mesmo sem tanto destaque) de Brandon Butler no personagem de Scott Reed ajuda a quebrar as padronizações da série – nem todo esportista é “mal” ou um bully –, seguindo a deixa de Jeff Atkins (Brandon Larracuente) na primeira temporada.

O roteiro também não deixa a desejar. Com um ritmo constante, ainda que tenha alguns episódios em que falta um clímax, a segunda temporada de “13 Reasons Why” não decepciona e entrega um drama comovente, principalmente no relacionamento entre pais e filhos. Praticamente todos os pais possuem uma participação mais ativa nestes novos episódios. Essa reviravolta é sinal de que a série passou a focar também em um público mais adulto, atitude condizente com a pressão sofrida pela primeira temporada em relação à exposição de temas como o suicídio e o assédio sexual ao público predominantemente adolescente.

Olivia (Kate Walsh) e Andy (Bryan d’Arcy James), pais de Hannah Baker. Foco maior na vida dos “adultos” foi um acerto de “13 Reasons Why”.

E justo quando todas as respostas pareceram ser dadas (mesmo que nem sempre da forma que eram desejadas, ou deixando uma brecha quase opressora para a imaginação e criatividade do fã), um acontecimento central abre uma nova gama de possibilidades para talvez mais treze episódios de sucesso. Prepare-se.

Importante ressaltar ainda a presença de cenas de conteúdo sexual, uso de drogas e violência explícita, que a Netflix fez questão de alertar no início dos episódios. A classificação indicativa de “13 Reasons Why” não é à toa e deve ser levada em consideração pelo espectador.

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