Adaptações | Não julgue um livro pelo filme

Fizemos uma lista com 5 adaptações que não acompanharam o sucesso de seus livros.

As boas obras literárias são, desde sempre, fonte de inspiração para qualquer diretor de cinema. Uma adaptação de qualidade pode, pelo impulso do Cinema, alcançar uma enorme parcela de espectadores, mais do que um livro poderia. Porém, a verdade é que, em muitos casos, um livro de sucesso nem sempre se transforma em um filme de sucesso. O fracasso normalmente recai sobre a própria obra literária em si – o que muitas vezes é uma injustiça.

Todo leitor já viu um de seus livros ser adaptado para as telonas e teve vontade de voltar no tempo para impedir aquela atrocidade, tão deplorável que foi seu resultado. Mas para que o fracasso não recaia sobre os livros, listamos cinco adaptações que não fizeram jus às obras que os inspiraram.

Leia essa lista como prevenção; e, mesmo que acabe vendo um desses filmes, não crie preconceitos: leia o livro! Com certeza será uma experiência bem mais prazerosa!

1. Eragon (20th Century Fox, 2006)

Eragon, o primeiro livro da trilogia de Christopher Paolini, foi adaptado para o cinema em dezembro de 2006 pela 20th Century Fox. Ambientada no continente fictício de Alagaesia, a trama conta a história do jovem Eragon (Ed Speleers, em destaque na foto), que após descobrir um ovo de dragão acaba sendo lançado numa jornada contra o tirano Galbarotix, o poderoso rei de Alagaesia. A história, que possui elementos semelhantes aos de O Senhor dos Anéis, é rica em personagens – mentores, amigos, traidores, sábios, monstros, amores; porém, sua profundidade não é passada para o filme. O roteiro de Peter Buchman e a direção de Stefen Fangmeier não acompanham o estilo alucinante de Paolini, e o resultado é um filme raso e simplório, que deixa mais buracos que as rodovias brasileiras. Nem a presença de astros como Jeremy Irons e John Malkovich salvaram o filme. Fracasso de bilheteria e crítica, Eragon sepultou a franquia já na primeira tentativa.

2. A Torre Negra (Sony Pictures, 2017)

É impossível resumir a essência de mais de três mil páginas da série “A Torre Negra” em um filme. Após mais de dez anos de tentativas frustradas, o projeto caiu nas mãos do diretor Nikolaj Arcel, mas a ideia de adaptar a história ao grande público e de dar dinamicidade à trama não deu certo. Na trama, o último pistoleiro Roland Deschain (Idris Elba, em destaque) precisa vencer seu nêmesis, o Homem de Preto (Matthew McConaughey, também em destaque), para impedir a destruição da mítica Torre Negra e, assim, assegurar o futuro dos mundos. Enquanto a obra de Stephen King traz elementos fascinantes, que fazem o leitor devorar as páginas para descobrir o que vem a seguir, a sensação durante o filme é torturante. A cada segundo, o espectador vibra não pela qualidade narrativa, mas porque o final está mais próximo. A relação de Roland Deschain com Jake Chambers é rasa, as atuações são fracas e a história é previsível. Comparado aos oito livros de King, o filme é um sacrilégio.

3. Percy Jackson e o Ladrão de Raios (20th Century Fox, 2010)

Talvez você curta “Percy Jackson e o Ladrão de Raios” se assisti-lo antes de ler o livro. Porém, se optar por ler a obra de Rick Riordan antes, as chances de você se decepcionar com a adaptação são enormes. Na trama, Percy Jackson (Logan Lerman, em destaque), após descobrir ser um semideus, embarca em uma aventura para salvar sua mãe das mãos do terrível Ades. O filme, embora siga o enredo, peca na sequência de eventos. Em alguns momentos, acaba se distanciando bastante do livro, suprimindo partes que, embora não essenciais para a história, fazem do livro de Riordan o sucesso que é. Outro ponto que decepcionou muitos fãs foi a descaracterização dos personagens – tanto Percy quanto seus amigos estão bem diferentes no longa, fisicamente e em essência. Na tentativa de atrair um público maior para os Cinemas, os roteiristas de “Percy Jackson” sacrificaram a fidelidade ao livro. Nesse caso, o melhor mesmo é apostar na leitura!

4. Dezesseis Luas (Summit, 2013)

Escrito por Margaret Stohl e Kami Garcia, “Dezesseis Luas” é um livro de romance e magia. A história se passa em uma pequena cidade chamada Gatlin, e aborda o romance de Lena Duchanes (Alice Englert, em destaque) e Ethan Wate (Alden Ehrenreich). Ele, típico garoto de cidade pequena, que deseja deixar a vida pacata de Gatlin para trás e cursar uma faculdade de respeito; ela, uma conjuradora prestes a fazer dezesseis anos, idade em que deverá ser convocada para a Luz ou para as Trevas. Enquanto no livro os elementos de mistério e romance são lançados de forma instigante, o filme não consegue entregar a essência da história: a emoção, a fantasia e o perfeccionismo detalhista das autoras. A batalha interna de Lena, dividida entre Luz e Trevas, é retratada com tanta superficialidade no longa que, no fim, resta apenas a sensação de que a história foi muito mal aproveitada.

5. Os Três Mosqueteiros (Summit, 2011)

Para quem achou que era impossível estragar um clássico, a adaptação de “Os Três Mosqueteiros” prova o contrário. A tentativa do diretor Paul W. S. Anderson (Resident Evil, Alien vs Predador) de criar uma versão mais atual da obra de Alexandre Dumas resultou em um filme bem razoável. Não fosse o talentoso elenco – com nomes como Milla Jovovich e Christoph Waltz (em destaque na foto) –, talvez estaríamos diante de algo medíocre. O grande erro da adaptação foi tentar entregar uma história a um público diferente dos que têm apreço pelo verdadeiro romance de capa e espada. As emoções e o heroísmo dos mosqueteiros são transmitidos por Dumas com perfeição, em uma história recheada de ação e romance balanceados na medida certa. O filme, porém, parece não saber o que quer, e entrega personagens rasos e nada apaixonantes. Você pode até ler o livro e ver o filme, mas saiba que ambos têm intenções bem distintas.

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